Nesta secção4.3, debruçamo-nos sobre
enquanto espaço vectorial real. Repare que as colunas de
formam uma base de
, pelo que
. Mostre-se que de facto geram
. Se se denotar por
a coluna
de
, é imediato verificar que
. Por outro lado,
implica
, e portanto
. O conjunto
é chamado base canónica de
.
Considere, a título de exemplo, o conjunto
Octave
Vamos agora usar o octave para esboçar o conjunto definido acima. Vamos considerar
e tentar que o octave encontre os pontos
. Como é óbvio,
não poderão percorrer todos os elementos do intervalo
. Vamos, em primeiro lugar, definir os vectores
x,y
com os racionais de a 2 com intervalo de
entre si. Não se esqueça de colocar
;
no fim da instrução, caso contrário será mostrado o conteúdo desses vectores (algo desnecessário). Com o comando meshgrid
pretende-se construir uma matriz quadrada onde x,y
surgem copiados. Finalmente, define-se Z=2*X-3*Y
e solicita-se a representação gráfica. Para obter a representação gráfica precisa de ter o gnuplot
instalado.
> x=[-2,0.1,2];
> y=[-2,0.1,2];
> [X,Y]=meshgrid (x,y);
> Z=2*X-3*Y;
> surf(X,Y,Z)
Verifique se a sua versão do gnuplot
permite que rode a figura. Clique no botão esquerdo do rato e arraste a figura. Para sair do gnuplot, digite q
.
Como é óbvio, o uso das capacidades gráficas ultrapassa em muito a representação de planos. O seguinte exemplo surge na documentação do octave:
tx = ty = linspace (-8, 8, 41)'; [xx, yy] = meshgrid (tx, ty); r = sqrt (xx .^ 2 + yy .^ 2) + eps; tz = sin (r) ./ r; mesh (tx, ty, tz);
O conjunto
é um subespaço de
, já que
. O subespaço
é dado pela intersecção do plano dado pela equação
com o plano dado pela equação
.
Octave
Para obtermos a representação gráfica dos dois planos, vamos fazer variar de
a
, com intervalos de 0.1. O comando
hold on
permite representar várias superfícies no mesmo gráfico.
> x=[-3:0.1:3]; > y=x; > [X,Y]=meshgrid (x,y); > Z1=-2*X+4*Y; > Z2=1/2*X-1/2*Y; > surf(X,Y,Z1) > hold on > surf(X,Y,Z2)Em vez de
x=[-3:0.1:3];
poderíamos ter usado o comando linspace
. No caso, x=linspace(-3,3,60)
. A sintaxe é linspace(ponto_inicial,ponto_final,numero_de_divisoes)
.
Vejamos como poderemos representar a recta que é a intersecção dos dois planos referidos atrás. Repare que os pontos
da recta são exactamente aqueles que satisfazem as duas equações, ou seja, aqueles que são solução do sistema homogéneo
, onde
.
> A=[1 -2 1/2; -1 1 2] A = 1.00000 -2.00000 0.50000 -1.00000 1.00000 2.00000 > rref (A) ans = 1.00000 0.00000 -4.50000 0.00000 1.00000 -2.50000 > solucao=[-(rref (A)(:,3));1] solucao = 4.5000 2.5000 1.0000De facto, o comando
rref (A)
diz-nos que
solucao
. Outra alternativa seria a utilização do comando null(A)
.
> t=[-3:0.1:3]; > plot3 (solucao(1,1)*t, solucao(2,1)*t,solucao(3,1)*t);
O gnuplot não permite a gravação de imagens à custa do teclado ou do rato. Podemos, no entanto, imprimir a figura para um ficheiro.
> print('grafico.eps','-deps') > print('grafico.png','-dpng')No primeiro caso obtemos um ficheiro em formato eps (encapsulated postscript), e no segundo em formato PNG. A representação dos dois planos será algo como a figura seguinte:
Como é óbvio, não estamos condicionados a
. Por exemplo, o conjunto
Octave
Com base no teorema anterior, vamos mostrar que
> u=[1; 2; 3; 3]; v=[2; 0; 1; -1]; w=[0; 0; -1; -3];são linearmente independentes. Tal é equivalente a mostrar que
> rank([u v w]) ans = 3Para
> rank([u v y]) ans = 2
Escrevendo como
Octave
Considerando como no exemplo anterior, vamos verificar se
. Para
, tal é equivalente a verificar se
tem solução.
> u=[1; 2; 3; 3]; v=[2; 0; 1; -1]; w=[0; 0; -1; -3]; octave:23> A=[u v w] A = 1 2 0 2 0 0 3 1 -1 3 -1 -3Ou seja, se
> rank(A) ans = 3 > rank([A y]) ans = 3De uma forma mais simples,
> rank(A)==rank([A y ]) ans = 1Já o vector
> rank([A [0;0;0;1]]) ans = 4
Vejamos qual a razão de se denominar ``espaço das colunas de '' a
. Escrevendo
através das colunas de
, pela forma como o produto de matrizes foi definido, obtemos
A classificação de sistemas de equações lineares como impossível, possível determinado ou possível indeterminado, ganha agora uma nova perspectiva geométrica.
Por exemplo, consideremos a equação matricial
, com
e
. O sistema é possível, já que
, mas é indeterminado pois
.
Octave
Depois de definirmos e
no octave,
> rank(A) ans = 2 > rank([A b]) ans = 2
As colunas de , que geram
, não são linearmente independentes. Como
é possível temos que
, mas não sendo as colunas linearmente independentes,
não se escreverá de forma única como combinação linear das colunas de
. O sistema de equações tem como soluções as realizações simultâneas das equações
,
e
. Cada uma destas equações representa um plano de
, e portanto as soluções de
são exactamente os pontos de
que estão na intersecção destes planos.
Octave
Vamos representar graficamente cada um destes planos para obtermos uma imagem do que será a intersecção.
> x=-3:0.5:3; > y=x; > [X,Y]=meshgrid(x,y); > Z1=(14-2*X-4*Y)/(-8); > surf(X,Y,Z1) > Z2=(7-X-2*Y)/(-4); > Z3=(10-2*X-3*Y)/(5); > hold on > surf(X,Y,Z2) > surf(X,Y,Z3)A intersecção é uma recta de
No entanto, o sistema
é impossível, já que
. A intersecção dos planos dados pelas equações do sistema é vazia.
Considere agora
e
. O facto de
ser impossível (compare a característica de
com a de
) significa que
. Ora
, ou seja,
é o conjunto dos pontos de
que se escrevem da forma
Octave
> alfa=-3:0.5:3; beta=a; > [ALFA,BETA]=meshgrid(alfa,beta); > surf(ALFA+BETA,ALFA,-ALFA+BETA)
Com alguns cálculos, podemos encontrar a equação que define . Recorde que se pretende encontrar os elementos
para os quais existem
tais que
Octave
> x=-3:0.5:3; y=x; > [X,Y]=meshgrid(x,y); > surf(X,Y,-2*Y+X); hold on; plot3([0],[1],[0],'x')
Ora é impossível, pelo que
. Ou seja,
não é um ponto do plano gerado pelas colunas de
.
Se for invertível, então
(neste caso, tem-se necessariamente
). De facto, para
, podemos escrever
, pelo que, tomando
, temos
. Portanto,
Se são matrizes reais para as quais
existe, temos a inclusão
. De facto, se
então
, para algum
. Ou seja,
, pelo que
.
Se for invertível, então
. Esta igualdade fica provada se se mostrar que
. Para
, existe
tal que
, e portanto
.
Recordemos, ainda, que para matriz real
, existem matrizes
permutação, triangular inferior com 1's na diagonal (e logo invertível) e escada, respectivamente, tais que
Finalmente, e a comprovação deste facto fica ao cargo do leitor, as linhas não nulas de , matriz obtida de
por aplicação do método de eliminação de Gauss, são linearmente independentes.
Para definidas atrás,
e
Seja a forma normal de Hermite de
. Portanto, existe uma matriz permutação
tal que
, onde
. Repare que
, já que o conjunto gerador é o mesmo (ou ainda, porque
é invertível). As primeiras
colunas de
formam uma base de
, e portanto
. Pretendemos mostrar que
. Para tal, considere o lema que se segue:
Usando o lema anterior,
Octave
Considere os vectores de
> u=[1; 0; -2]; v=[2; -2; 0]; w=[-1; 3; -1];Estes formam uma base de
> A=[u v w] A = 1 2 -1 0 -2 3 -2 0 -1 > rank(A) ans = 3Já os vectores
A=[u v q] A = 1 2 -5 0 -2 6 -2 0 -2 > rank(A) ans = 2e portanto
A questão que se coloca aqui é: como obter uma base para ?
Octave
Suponha que é a matriz escada de linhas obtida da matriz
. Recorde que
, e portanto
. Portanto, e considerando a matriz A=[u v q] do exemplo anterior, basta-nos calcular a matriz escada de linhas associada a
:
> [l,V,p]=lu(A'); V' ans = -5.00000 0.00000 0.00000 6.00000 1.20000 0.00000 -2.00000 -2.40000 0.00000As duas primeiras colunas de V' formam uma base de
Em primeiro lugar, verifica-se que as colunas de
com pivot, digamos
são linearmente independentes pois
é possível determinado.
Em segundo lugar, vamos mostrar que as colunas de correpondentes às colunas de
com pivot são também elas linearmente independentes. Para tal, alertamos para a igualdade
, onde
indica a
-ésima coluna de
. Tendo
, e como
é possível determinado, segue que, pela invertibilidade de
, a equação
admite apenas a solução nula. Mas
é a matriz constituída pelas colunas
de
, pelo que estas são linearmente independentes, em número igual a
. Visto
, essas colunas constituem de facto uma base de
.
Octave
Seja A a matriz do exemplo anterior:
> A A = 1 2 -5 0 -2 6 -2 0 -2Vamos agora descrever esta segunda forma de encontrar uma base de
> [l,u,p]=lu(A); u u = -2 0 -2 0 -2 6 0 0 0Uma base possível para
Finalmente, como
, temos a igualdade
Repare que já que
se e só se
. Na resolução de
, é feita a separação das incógnitas em básicas e em livres. Recorde que o número destas últimas é denotado por
. Na apresentação da solução de
, obtemos, pelo algoritmo para a resolução da equação somas de vectores, cada um multiplicado por uma das incógnitas livres. Esses vectores são geradores de
, e são em número igual a
, onde
. Queremos mostrar que
. Seja
a forma normal de Hermite de
; existe
permutação tal que
, tendo em mente que
. Como
é invertível, segue que
. Sendo
a matriz obtida de
fazendo trocas convenientes de colunas, tem-se
. Definamos a matriz quadrada, de ordem
,
. Como
segue que
, e portanto as colunas de
pertencem a
. Mas
e as suas últimas
colunas são linearmente independentes (já que
). Logo,
. Pelo que vimos atrás,
. Segue das duas desigualdades que
Como
, obtemos, finalmente,
Octave
Vamos aplicar os resultados desta secção num caso concreto. Considere o subespaço de
gerado pelos vectores
. Como temos 5 vectores de um espaço de dimensão 3, eles são necessariamente linearmente dependentes. Qual a dimensão de
?
é o espaço das colunas da matriz
, cujas colunas são os vectores dados:
> A=[1 2 3 4 5; 2 -3 1 1 0; 1 -1 2 2 4];Ora
> [L,U,P]=lu(A); U U = 2.00000 -3.00000 1.00000 1.00000 0.00000 0.00000 3.50000 2.50000 3.50000 5.00000 0.00000 0.00000 1.14286 1.00000 3.2857Ou seja,
> b=[0; -2; -2] b = 0 -2 -2 > B=A(:,[1,2,3]) B = 1 2 3 2 -3 1 1 -1 2 > coord=inverse(B)*b coord = 1.00000 1.00000 -1.00000Ou seja,
Subsecções
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Pedro Patricio
2008-01-08