Resumos dos posters

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Outline of José Anastácio da Cunha's mathematical bookshelf: gathering lifetime recollections Esboço de uma coletânea dos textos matemáticos comprovadamente estudados por J. A. da Cunha

Ângela Lopes - CMAT, Universidade do Minho

 

Os relatos biográficos sobre José Anastácio da Cunha convergem na indicação de que este aprendeu matemática por si, sem mestre. Nesse seu percurso autónomo mas condicionado por circunstâncias singulares, as reflexões sobre o que leu moldaram ainda a sua perspetiva sobre o ensino das matemáticas.

Por reconstituição, poderemos entendê-lo melhor: Quais os livros matemáticos que leu? Quais os textos que o inspiraram? Quais os autores que apreciou? E de quais discordou?

O que propomos apresentar no presente poster assenta também em documentação inédita e é um primeiro esboço dessa reconstituição de leituras de José Anastácio da Cunha sobre matemática, com o respetivo enquadramento nos momentos pessoais da sua vida (cronológicos, geográficos, sociais…).


 

José Anastácio da Cunha e os seus Principios de Geometria Tirados dos de Euclides

Catarina Mota - Didáxis Cooperativa de Ensino & CMAT

Maria Elfrida Ralha - CMAT & DMA, Universidade do Minho

Maria Fernanda Estrada - CMAT, Universidade do Minho

 

Os Elementos de Euclides (séc. III a.C.), obra de referência no ensino da matemática, foram durante séculos estudados e analisados, levando a que algumas críticas se lhe fossem efetuadas, críticas que se acentuaram com o desenvolvimento da lógica. José Anastácio da Cunha (1744-1787) apresenta várias críticas à obra do matemático grego, nomeadamente ao conceito de reta tangente, nos seus Principios de Geometria Tirados dos de Euclides, apresentando, simultaneamente, um tratamento alternativo a este conceito.

Neste poster compararemos as abordagens dos dois matemáticos, assim como as críticas efetuadas por Anastácio da Cunha à obra de Euclides no que respeita ao conceito de reta tangente.


 

Um curioso caso de colaboração científica relativo a J. Anastácio da Cunha

Cecília Costa - CIDMA & ECT, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Paula Catarino - CIDMA & ECT, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

 

Em 1940, José Vicente Gonçalves apresentou no Congresso do Mundo Português um estudo [1] sobre o Livro VIIII dos Principios Mathematicos de José Anastácio da Cunha. A análise apresentada neste estudo é considerada de grande relevância, em virtude de atribuir a Cunha a primazia na definição (correcta) de convergência de uma série, antecipando-se a Cauchy [2].

De acordo com [3], Adolfo P. Yuschkevitch, historiador da matemática soviético, foi o autor dos primeiros artigos que deram visibilidade internacional ao trabalho de Anastácio da Cunha. O seu trabalho foi efectuado com base num microfilme da tradução francesa dos Principios Mathematicos.

Quem possuiria um exemplar desta obra e estaria disposto a deixá-lo copiar para enviar, em microfilme, ao historiador soviético, em pleno Estado Novo (sugestão e iniciativa de José Gaspar Teixeira)?

José Vicente Gonçalves: bibliógrafo e cientista.

Referências
[1] Gonçalves, J. Vicente (1940). Análise do Livro VIIII dos "Princípios Mathematicos"  de José Anastácio da Cunha. Congresso do Mundo Português, 12, 123-140.
[2] Costa, C. (2001). José Vicente Gonçalves: Matemático... porque Professor!, (Colecção Memórias n.º 37). Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, Secretaria Regional do Turismo e Cultura.
[3] Almeida, P. (1996). Vicente Gonçalves: Antigo e Moderno. Sessão comemorativa do Centenário do Nascimento de José Vicente Gonçalves. Coimbra: FCT da Universidade de Coimbra.

 

JAC e a Casa Pia de Lisboa

Cláudia Sousa, Universidade do Minho

 

José Anastácio da Cunha, um homem culto e bem informado, muitas vezes criticado em termos pedagógicos, criou uma “brilhante escola” de conhecimentos gerais e científicos. No seu plano da Estudos da Casa Pia de Lisboa são reconhecidas várias influências nacionais e estrangeiras, o que demonstra que para além da sua procura de conhecimentos científicos também era um homem preocupado com a forma e o método do seu ensino. Os seus ensinamentos, fruto de muitas fontes, levaram à mudança de interpretações e métodos de ensino, cá e além-fronteiras.


 

A presença de Bento Caraça no Brasil

João Tomas do Amaral - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo

 

Mostrar as portas de acesso - comercial e acadêmica -, das obras de Bento de Jesus Caraça no Brasil, especificamente do livro  "Conceitos Fundamentais da Matemática", nas suas varias formatações - dos volumes isolados da Biblioteca Cosmos, passando ao volume único e a sua atual versão.

Abordar, a partir dessas portas de acesso e das participações de intelectuais e cientistas portugueses no âmbito da Universidade brasileira, sobre as suas influências nos mais variados setores de nosso sistema educacional envolvidos com o ensino e a aprendizagem em Matemática- manuais didáticos, livros de formação de professores, propostas curriculares, artigos científicos, monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Certamente, Bento Caraça e sua obra inspiradora juntamente com outras importantes e significativas participações  de cientistas portugueses estão, ainda hoje, fortemente presentes no ensino de Matemática no Brasil.